Meu cabelo tipo 4: A importância do SER negro/ Ser mulher negra
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A importância do SER negro/ Ser mulher negra

Talvez o título, nos leve a um teor pesado do termo "ser", talvez seja, talvez não. Quando eu penso no dia 25 de Julho- Dia Internacional das Mulheres Negras da América Latina e atrelo ao ser negro e acima de tudo a ser uma mulher negra em uma sociedade extremamente machista e racista, me remeto a diversos questionamentos.
Primeiramente, gostaria de perguntar a vocês que me lêem, o que é ser negro?? É somente ter uma pele de cor escura?. Para mim ser negro carrega uma carga muito mais pesada do que apenas, o tom da pele, negro nos remete a escravidão, nos remete a segregação social, negro nos remete a África.
Os negros são estigmatizados em várias das áreas de suas vidas, e ai quando alguém se vira e diz: "racismo não existe", me deparo com a ideia de quê, será que é realmente isso que a sociedade imagina que ocorre?? será que temos que viver nos "maquiando de branco", para vivermos como pessoas normais para a sociedade?
Cresci, acostumada a ouvir os termos: moreninha, branquinha, sarará ou amarela. Pasmen, ate hoje as pessoas acham que me faço de coitada por me auto-afimar negra. Agora porque coitada?? Gente eu sou NEGRAAA, será que tenho que gritar isso??, será que o fato da minha pele não remeter a cor do asfalto eu sou menos negra que meus avôs?. Isso mesmo avôs, venho de família negra, TOTALMENTE negra, minha mãe é negra e crespa, nada do denominado cabo verde, somos negras do cabelo tipo 4 ao qual tenho orgulho disso, e me arrependo de ter escondido por tantos anos os traços lindos dado a mim por Deus. Sim eu tentei apagar a  minha identidade e quase consegui, se não tivesse tomado um choque de realidade e parasse de pensar como uma pessoa que eu não era.
O meu cabelo hoje em dia diz quem eu sou, ele grita a minha identidade e ele fala: NEGRA!!

                                     Fonte da imagem: Não aguento quando (Facebook)â

Sim, transpiro felicidade ao saber que ser negro na sociedade contemporânea, para muitos tem se tornando, como um ser protagonista da sua história, paramos de abaixar as nossas cabeças para os dominadores, colonizadores e burgueses, e passamos a ser SENHOR de nós mesmo. Hoje uma mulher quando ouve: "você é uma negra linda!", ela questiona-se porque o termo negro tem que está incluso na frase, e não somente : "você é uma mulher linda' ou "você é linda".
Hoje, a beleza do negro tomou vários questionamentos, pois quem foi o irracional que disse que o ser negro não é belo, que você ser uma mulher negra nessa sociedade segregada não é bom?
Em pleno século XXI, eu vejo novamente renascer um novo movimento BLACK POWER, vejo mulheres "acordando pra vida", percebo que se desligaram das amarras da escravidão do embranquecimento, através do alisamento capilar, e da sobreposição da moda branca em detrimento do estilo africano (o estilo que identifica a muito de nós nas ruas), e passaram a assumir os seus cabelos, e identidade, passaram a se vestir com o que se identificam.
É bom demais você ir as ruas e ver meninas tipo 4A/B/C, jogando os seus cabelos pra cima sem medo de serem felizes, eu me arrepio quando eu vejo tanta atitude e ativismo em mulheres que até então era oprimidas por essa sociedade ultra machista, em que a todo  tempo querem ditar pra nós cabelos lisos, traços finos e corpo magro. Gritamos: CHEGAAAAAAAAAAAAAAAA!! Tomamos as rédias do jogo meu bem, e se você não sabe jogar, por favor nem desça pro play. Por que somos muito mais do que vocês podem imaginar, somos muito mais do que a sua visão limitada pode ver. Enquanto vocês se preocupam com o nosso estilo e com a nossa cor, estamos preocupados em tomar o nosso lugar ao sol, estamos preocupados em mostrar que não é a nossa cor que dita o nosso destino, ocupamos universidades públicas, ocupamos as melhores bolsas de mestrados e doutorados dentro e fora do país, estamos nos fóruns, nos hospitais sendo protagonistas, estamos na TV e nos programas de alto audiência, saímos da cozinha e formos para a sala, não nos deixamos mais ser subordinados por vocês.
O racismo nos fortalece a ir à luta. Fortalece?? sim fortalece, pois quando vemos um irmão sofrendo um ato tão monstruoso como esse vamos a luta, nós nos levantamos mais ainda, para buscar a igualdade, em um país que é 75% negro e mesmo assim, muitos não se consideram como tal por possuírem uma cor "clarinha".

Então, hoje eu queria dedicar esse textos a todas as mulheres, que lutam diariamente contra o preconceito, a todas as guerreiras, ativistas, feministas, a todas essas mulheres que criam consciência de classe e que lutam para acabar com essa diferenciação de gênero que ainda sofremos na sociedade.
Não sou mulher, sou mulheres!!!

Beijos Crespos e Fiquem com Deus

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